quinta-feira, 2 de maio de 2013

O (des)interesse pela TDT

Quatro anos após o seu arranque oficial, a Televisão Digital Terrestre portuguesa permanece parada no tempo. A oferta de canais é uma das mais reduzidas a nível mundial, ficando atrás de muitos países do chamado terceiro mundo. Há igualmente um grande desaproveitamento das funcionalidades do sistema DVB-T como, por exemplo, a ausência da audiodescrição para os cidadãos invisuais. 

Há muito tempo que para mim é claro que a introdução da TDT em Portugal foi fortemente condicionada por lobbies económicos e políticos. Como se explica que exista espectro disponível e canais classificados de interesse público (RTP Memória e RTP Informação), mas quatro anos depois do arranque da TDT continuem negados a todos os portugueses? O único lobby que não funciona em Portugal é o lobby dos cidadãos! Isso revela falta de democracia e de cidadania.

Veja-se o caso do tristemente célebre Canal HD, o canal “fantasma” da TDT. Este canal foi uma das farsas da TDT portuguesa! Destinado a emitir programação em Alta Definição dos três operadores (RTP, SIC e TVI) até Abril de 2012, o canal funcionou apenas algumas semanas em fase de “testes” com emissão rotativa de canais do MEO. Não foi lançado, alegadamente por falta de acordo entre a RTP, SIC e TVI. E refira-se também que RTP, SIC e TVI, através de posição conjunta em consulta pública, afirmaram não acreditar na viabilidade de mais canais na TDT. Ou seja, há muito tempo que está mais que comprovado que os operadores media portugueses não estão interessados na TDT. Houve sim, interesse em afastar qualquer decisão que abrisse a porta a novos canais. Mas se dos operadores nacionais não há que esperar qualquer contributo positivo para a TDT, do regulador também não! A presidente da Anacom afirmou que não há mais canais porque não há interesse por parte dos operadores. Ora, isto é tudo menos transparente! Que operadores? Nacionais? Internacionais? Com a protecção de que beneficiam os operadores nacionais, porque razão haveriam de ter algum interesse em melhorar a sua oferta na TDT? Se o próprio Estado atenta contra a TDT, porque haveriam os privados de apostar nela? Se a política de forçar os portugueses a aderir a operadores de TV por subscrição dá resultados tão bons, para quê investir na TDT? 

O blogue TDT em Portugal já por duas vezes pediu informação a respeito do licenciamento de espectro para novos canais de âmbito nacional, regional e local. Continua á espera de resposta. Parece que há receio de abertura de concursos internacionais, pois poderiam trazer concorrência aos operadores nacionais, os tais que não estão interessados em disponibilizar novos canais. Como o blogue TDT em Portugal informou, em 2012 a VIACOM lançou na TDT espanhola o canal de cinema Paramount Channel e afirmou tencionar alargar a presença do canal a novos mercados. Tal como aconteceu com o concurso da TDT paga, em que o espectro retornou à ANACOM sem abertura de novo concurso, parece continuar uma política de protecção descarada aos operadores nacionais, apesar dos mesmos parecerem apostados no definhamento da TDT. Mas que confiança podem ter eventuais operadores internacionais nas entidades portuguesas após a forma como a Airplus foi tratada em Portugal? 

Mesmo após a imposição da ARTV - Canal Parlamento à população, um canal part-time que na TDT terá uma audiência média diária de duzentas pessoas, mais de 30% do espaço do multiplex A continua desaproveitado. Existe espectro disponível suficiente para emitir também a RTP Memória, a RTP Informação e todas as rádios públicas, com boa qualidade de imagem e som. 

Em muitos países foi o serviço público que liderou a aposta na televisão digital terrestre. O problema é que a RTP não está interessada em tornar os canais acessíveis a todos os portugueses! Infelizmente temos um serviço público que é cada vez menos público e mais privado, pois cada vez mais promove as plataformas de televisão por subscrição em detrimento da TDT. 

Dada a pobreza da nossa TDT, não estranha por isso que o número de lares que recebem apenas TDT esteja em queda acentuada. Poderá já não estar longe o dia em que os operadores nacionais não estarão dispostos a suportar os custos com a sua emissão na TDT. Quando esse dia chegar os canais irão reivindicar uma de duas coisas: a redução brutal dos custos de emissão na TDT ou o abandono puro e simples da mesma, forçando a população que ainda depende da TDT a aderir a um serviço prestado por um operador de televisão paga. Isso acontecerá naturalmente com o acordo das operadoras de TV paga, que poderão criar pacotes especiais com um número limitado de canais, a preço reduzido ou mesmo custeados pelos canais e gratuitos para o público. Com estes governantes e a sua política de “deixa andar” é para aí que caminhamos. 

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25 comentários:

Alex disse...

Bom dia, há muito tempo que acompanho o Blog e desde já dou os meus parabéns, pela luta incansável de fazer chegar informação à população, tenho pena é que não chegue a todas, porque com a crise que estamos a viver, é tudo a aderir a Pay-TV em vez de lutar pelos seus direitos... Há muito que relato no facebook, a vergonha que é a nossa TDT, e se o Canal HD já era uma vergonha ao "quadrado" então o ARTV é ao cubo, é gozar com os cidadãos simplesmente, o que trouxe de novo este canal? Ocupar mais espaço ainda e em serviço de "Part-time" como disse e bem, porque aquilo está praticamente sempre sem emissão, enquanto quem paga, já têm direito a ver mais horas de emissão... Isto tinha que haver uma revolução muito grande a nivel da TV para que a nossa TDT se tornasse apelativa, onde é que já se viu passado um ano de entrar no ar, continuar com problemas técnicos e pior ainda Anacom e ERC nada fazem, por mim era já novo concurso, queriam gastar o minimo possível com a TDT para passar tudo para o MEO, desde o inico desta trapalhada, que os cidadãos nunca foram defendidos e andamos assim, no deixa andar... Gostava de saber como é que foram deixar que a PT com o seu MEO fosse ganhar o concurso da TDT, isto é um autentico monopólio para servir os interesses apenas dos privados...

David disse...

Caro Yagi

Estou perfeitamente de acordo com o que foi dito pelo Alex.

Vergonha atrás de vergonha.

Ter TDT e o mesmo que ter analógico. Pior: as pessoas tiveram que pagar para ter TDT (compra de um aparelho receptor ou um TV compatível).

Mas se a TDT foi obrigatória em todos os países, será possível que em Portugal a mesma seja abolida por falta de adesão?

Bom vejo aqui uma oportunidade para os operadores pagos e, se assim for, de facto a TDT está a cair para um abismo.

Qualquer dia, teremos que pagar sempre qualquer coisa para ver televisão.

Se as televisões não se interessam muito (por exemplo, a RTP) em colocar lá mais canais, o governo nada faz, e os portugueses andam preocupados com a crise e, de certa forma, acredito que não se apercebam desta situação que a TDT está a convergir, pergunto: não haverá nenhum organismo que ponha mão nisto? Tribunal europeu?...

Acho que é preciso agir nesse sentido. E rápido.

Se concordar, como fazemos?

David

Luis Carvalho disse...

"Poderá já não estar longe o dia em que os operadores nacionais não estarão dispostos a suportar os custos com a sua emissão na TDT. Quando esse dia chegar os canais irão reivindicar uma de duas coisas: a redução brutal dos custos de emissão na TDT ou o abandono puro e simples da mesma, forçando a população que ainda depende da TDT a aderir a um serviço prestado por um operador de televisão paga. Isso acontecerá naturalmente com o acordo das operadoras de TV paga, que poderão criar pacotes especiais com um número limitado de canais, a preço reduzido ou mesmo custeados pelos canais e gratuitos para o público."

Em teoria, sim. Na prática, a licença da TDT foi atribuída em 2008 por um prazo de 15 anos. O que significa que a PT é legalmente obrigada a assegurar o funcionamento da TDT até, pelo menos, 2023. Para não falar de outras questões que se poderiam colocar se tal solução se impusesse. Por mais que se deva criticar o processo de implementação da TDT e por muito que a PT tenha sido favorecida, há um conjunto de restrições legais ao qual a ANACOM enquanto entidade reguladora, a PT como empresa detentora da licença da TDT e as outras entidades envolvidas estão comprometidas. Para nem falar da possibilidade teórica de tal cenário teórica (obrigação de contrato de um serviço de tv paga)levantar problemas constitucionais, nomeadamente o direito à informação e a existência e o funcionamento de um serviço público de (rádio e) tv por parte do Estado.

Anónimo disse...

A TDT não foi obrigatória coisa nenhuma. Nem tão pouco desligar o analógico o era. A única coisa mandatória era libertar os canais 61 a 69 de UHF (onde havia muito poucos emissores analógicos). De resto, só havia recomendações.

Yagi disse...

Caro David, se está de acordo com o que foi dito pelo Alex, então está também de acordo comigo pois para além deste post, já dediquei vários outros a estas situações.

«Qualquer dia, teremos que pagar sempre qualquer coisa para ver televisão.»
Já pagamos para ver televisão! Através da contribuição audiovisual e dos nossos impostos que cobrem os défices da RTP.

A nível europeu o organismo apropriado penso que será a Comissão Europeia (concorrência) e pode ser contactada aqui.

Yagi disse...

@Luis Carvalho

«...a PT é legalmente obrigada a assegurar o funcionamento da TDT até, pelo menos, 2023.»

Eu não defini nenhum timeline no post. A rede TDT, até poderá ficar em funcionamento até 2023. Dez anos passam depressa (já lá vão 4 desde o arranque da TDT). Mas todas as decisões que ditaram a TDT que temos acautelaram essencialmente os interesses dos canais e do operador da rede. A PT certamente que não tem grandes lucros (nem interesse) com a TDT. Ela está obrigada a reservar o espectro para os canais no Mux A. A rede DAB também funcionou alguns anos, até encerrar por desinteresse geral!

«...há um conjunto de restrições legais ao qual a ANACOM enquanto entidade reguladora, a PT como empresa detentora da licença da TDT e as outras entidades envolvidas estão comprometidas»

Tenho perfeita noção disso. Mas em Portugal, as restrições legais nunca impediram ninguém de tentar impor ou defender os seus interesses!

O que eu afirmei é que se a percentagem de lares que dependem apenas da TDT continuar a baixar, mais cedo ou mais tarde os canais vão fazer PRESSÃO para pagarem menos pela emissão (já há sinais disso) ou PRESSÃO para abandonar a emissão pela TDT. Se chegarmos a um ponto em que economicamente é muito mais vantajoso para os canais "fazerem uma vaquinha" e custearem um serviço de televisão universal através de cabo, IPTV ou satélite, podem ter a certeza que vai haver PRESSÃO para que essa solução seja adoptada. As licenças podem ser alteradas, como aliás já o foram no passado.

«Para nem falar da possibilidade teórica de tal cenário teórica (obrigação de contrato de um serviço de tv paga)levantar problemas constitucionais, nomeadamente o direito à informação e a existência e o funcionamento de um serviço público de (rádio e) tv por parte do Estado.»

Inconstitucionalidade? Não foi o próprio Governo que ainda há pouco tempo queria privatizar o serviço público de televisão, mesmo depois de vários especialistas terem afirmado que seria inconstitucional?

De qualquer forma, "o direito à informação e a existência e o funcionamento de um serviço público de (rádio e) tv por parte do Estado" nunca estaria em causa, simplesmente a forma de distribuição do sinal. O acesso aos canais estaria assegurado.

Santos disse...

(...) as pessoas tiveram que pagar para ter TDT (compra de um aparelho receptor ou um TV compatível).
Eu ainda hoje me interrogo como é que ainda há pessoas que acham que para ver TDT não seria preciso ter de gastar dinheiro...

Yagi disse...

«Eu ainda hoje me interrogo como é que ainda há pessoas que acham que para ver TDT não seria preciso ter de gastar dinheiro...»

@Santos,
Para receber TDT não é obrigatório gastar dinheiro quando já se possui equipamento compatível e não há necessidade de "mexer" na antena. Mas Portugal foi dos poucos países em que praticamente todas as pessoas que recebem TV FTA teve que gastar dinheiro, porque praticamente todos os televisores não suportavam a norma MPEG-4, assunto a que o blogue TDT em Portugal deu amplo destaque.

Yagi disse...

«Tal como já comentei, recordo que ao contrário do que alguns responsáveis pretendem fazer crer, não existe obrigação de Portugal encerrar as emissões de televisão analógica em 2012. Existe apenas uma recomendação da Comunidade Europeia. E, apesar da maioria dos países europeus ter decidido encerrar as emissões de televisão analógica até 2012, nem todos o irão fazer. Como já comentei, a Polónia decidiu só encerrar as emissões analógicas até 31/07/2013. Só em Junho de 2015 desaparece a protecção às emissões analógicas, ou seja, as emissões analógicas, se necessário, poderiam prolongar-se até 2015.» in blogue TDT em Portugal, 28/05/2011.

Nem sequer existe ainda obrigação de libertar os canais 61-69. Tanto que muitos países ainda os utilizam, como é o caso de Espanha. Portugal já libertou esses canais para vender o espectro às operadoras móveis.

Santos disse...

Mas diz-me, Yagi, quantas das pessoas que recebem TV por antena é que tinham equipamentos compatíveis com TDT, qualquer que fosse o sistema, antes de 2009? É disto que eu estou a falar. A quase totalidade das pessoas tinha equipamentos analógicos, logo essas pessoas teriam sempre que gastar algum dinheiro, e aqueles que tinham equipamentos preparados para receber MPEG-2 não representavam de modo algum o grosso dos afectados, portanto eu continuo a achar mal que incluam isto no rol de reclamações válidas sobre a TDT.

Yagi disse...

«Mas diz-me, Yagi, quantas das pessoas que recebem TV por antena é que tinham equipamentos compatíveis com TDT, qualquer que fosse o sistema, antes de 2009?»

Cerca de 25% tinha pelo menos um televisor com TDT MPEG-2.

«A quase totalidade das pessoas tinha equipamentos analógicos, logo essas pessoas teriam sempre que gastar algum dinheiro...»

Não é isso que está em causa. O David afirmou:
«Ter TDT e o mesmo que ter analógico. Pior: as pessoas tiveram que pagar para ter TDT (compra de um aparelho receptor ou um TV compatível).»

Entende-se que quem fez a afirmação não está a manifestar surpresa por ter que gastar dinheiro com a TDT, mas sim com o facto de ter que gastar dinheiro E NÃO TER BENEFÍCIOS com ela.

Yagi disse...

Caro Luís Carvalho, a comparação com o DAB é pertinente sim. Estou perfeitamente a par do panorama DAB na Europa, das causas do insucesso, limitações técnicas e evolução do sistema. O DAB falhou porque (por várias razões) nunca vingou na esmagadora maioria dos mercados e a TDT pode também acabar por falhar em Portugal se continuar a perder público. O resultado final seria o mesmo - o falhanço.

Relativamente ao C61-C69, mais uma vez, chamo a sua atenção para aquilo que de facto escrevi que foi: «Nem sequer existe AINDA obrigação de libertar os canais 61-69.» Como escrevi no mesmo comentário: «Só em Junho de 2015 desaparece a protecção às emissões analógicas, ou seja, as emissões analógicas, se necessário, poderiam prolongar-se até 2015.» Nada mais foi trazido à discussão. Também relativamente a questões relacionadas com a gestão de espectro estou perfeitamente a par de que está sujeito a coordenação internacional, como poderá comprovar através de consulta mais detalhada a este blogue (por exemplo aqui).

Anónimo disse...

Na verdade Yagi, segundo o ITU-T as emissões analógicas podem prolongar-se mesmo depois de 2015, desde que não requeiram protecção nem causem interferência.

Yagi disse...

Sim, as emissões analógicas poderiam prolongar-se para além de 2015. Ter sido mais correcto ter escrito «...poderiam prolongar-se pelo menos até 2015». No entanto, provavelmente seria muito difícil, senão mesmo impossível manter a rede analógica em funcionamento sem risco de interferências para além dessa data devido à saturação do espectro junto à fronteira.

Yagi disse...

Caro Júlio Barroso, o blogue TDT em Portugal tem desde Fevereiro de 2012 publicada informação sobre o dividendo digital 2 (secção Breves).

Paulo disse...

Mas vocês ainda tem duvidas que a TDT vai ser abandonada? Eu já tenho a certeza disso. Basta olhar para os últimos números a indicar que existem cada vez mais pessoas a terem tv paga e os operadores a quererem criar mais canais nas plataformas pagas. Infelizmente, na mentalidade do típico português, é normal ter tv por cabo (ou adsl ou fibra)(quem não tem, vive no passado, Não é raro ouvir a minha volta, pessoas a dizerem que tem que ir instalar ou ajustar tv por tdt para os seus velhos). Não admira que não exista mercado para se fazer pressão para haver mais canais na tdt. A medida que a população resistente se vai mentalizando que tem que mudar para outras ofertas, irá chegar o momento em que não compensará ao operadores pagarem para transmitir para 3 gatos pingados em TDT.

Santos disse...

Eu não acredito nisso. Da maneira como a economia está, o número de clientes da TV paga vai chegar a um ponto em que vão ser mais os que desistem do que os que aderem e estes, a continuar esta situação por algum tempo, vai acabar. Basta falar com os agentes (e eu faço isso) para perceber que o número de novos contratos tem vindo a cair a pique. O facto de haver mais pessoas a ter TV paga apenas quer dizer que há pessoas que têm TDT e canais pagos, não que optaram pelo pago em detrimento do livre.
Em todo o caso, acho muito estranhos esses números quando à minha volta cada vez vejo mais pessoas a desistir dos canais pagos.

Yagi disse...

@Paulo, acaba por concordar com a minha visão do panorama TDT que expresso no post e comentários.

Tal como previ antes do switch-off de 26/04/2012, pouco mudou na TDT portuguesa. Conseguido o switch-off, o "governo" está-se nas tintas para a TDT. O momento ideal para corrigir caminho teria sido em 2009/2010 quando apresentei a petição pela emissão da RTP Memória e RTP Informação na TDT. Infelizmente não houve o apoio necessário na sua divulgação, houve mesmo boicote, como pode ser comprovado.

A mentalidade de muitos portugueses dificultou em muito que a TDT vingasse no nosso país, mas há entidades com especiais responsabilidades: os Governos, o regulador e os canais (especialmente a RTP). Como venho afirmando há imenso tempo, há um lobby político e económico fortíssimo a favor da TV "paga". Os operadores de TV por subscrição gastam milhões em publicidade nas televisões, rádios e jornais. Há ainda as comissões pela venda de assinaturas.

O interesse económico de alguns sobrepôs-se ao interesse público. O mais grave é que quem deveria impedir que isso acontecesse nada fez para o impedir, pelo contrário!

Eu próprio, que desde o inicio deste blogue tenho divulgado a TDT e feito pressão para que a RTP Memória e a RTP Informação seja emitida na TDT, ainda hoje sou alvo de invejas e boicotes por parte de certas pessoas. Perdemos todos...

Yagi disse...

«O facto de haver mais pessoas a ter TV paga apenas quer dizer que há pessoas que têm TDT e canais pagos, não que optaram pelo pago em detrimento do livre.»

É lógico que optaram pelo pago, só visualizam também ainda através da TDT porque não têm posses para ter TV paga em todos os televisores. A possibilidade de captar a TDT vai permanecer para a maioria da população, enquanto não for desligada, obviamente.

Tal como escrevi: «não estranha por isso que o número de lares que recebem apenas TDT esteja em queda acentuada».

De acordo com os dados divulgados, o número de lares que apenas recebem televisão por antena (TDT) tem vindo a baixar significativamente, estando actualmente já na casa dos 40%.

Se emitir na TDT deixar de fazer sentido por ser demasiado caro para o número de telespectadores existentes (como argumento no post), os canais vão fazer pressão para abandonar a TDT.

Se a crise se prolongar muito é provável que a partir de dado momento a adesão à TV paga abrande ou recue mesmo, à semelhança de outros países.

Anónimo disse...

O número de assinantes dificilmente vai descer. Estamos a falar de um mercado muito agressivo... onde se oferece serviços de tv e telefone pelo preço da assinatura do telefone. A juntar isto, temos uma cobertura cheia interferências: eu com menos sinal nos canais Espanhóis consigo ter uma imagem perfeita; a daqui esta sempre a falhar.
Sem falar num conjunto de canais despojados de poder negocial e qualidade de programação. Onde culpam a crise pela redução da publicidade. Só se esquecendo de falar que quando optaram pelo dinheiro fácil oferecido pelos serviços pagos de tv, e consequentemente enterrar de vez a TDT, criaram também a sua própria coba, as audiências falam por si. Apesar de alguns, que são pagos por todos nós, estar mais preocupados com os números do que a nossa máxima satisfação. Se os canais estrangeiros estão crescer tão rapidamente, foi porque alguém optou ir para uma guerra sem estar preparado para ela.
Em relação tdt poder ombrear com os serviços pagos. Isso só acontecerá quando tdt tiver mais canais. Para isso é preciso que alguém ponha o Estado português em tribunal. Pois é contra os direitos da concorrência a PT CONTINUAR EXPLORAR TDT

André disse...

Atenção é aos números... é que as operadoras estão a apresentar números de TUDO.
Portanto, por exemplo, uma empresa que contrate Internet-Telefone, neste momento também têm a televisão incluída... mesmo que não a use.
Por outro lado, desde o ínicio de Março que está em curso uma campanha que é virada para TODOS os clientes PT que tenham adquirido boxs para a TDT ou que tenham ficado com a TDT via satélite por não terem disponível TDT normal.
Nessa campanha, a PT terá conseguido levar 6500 clientes que tinham só os 5 canais a aderir a um serviço pago de 19,99 euros para ficarem com 60 canais na televisão durante 1 ano. Outros estão com uma "oferta" de 3 meses de acesso não pago para verem as "maravilhas da tv por assinatura".
Só depois de isto passar (e vão voltar a existir clientes que só descobrem que têm 12 ou 24 meses de contrato quando quiserem reduzir as despesas) é que os números podem ser analisados.
É que mesmo quem está a desistir das 2 grandes operadoras do mercado, estão a oferecer-lhes 3 meses de televisão não paga para a pessoa pensar se fica com um pacote mais barato ou se desiste.
Portanto, não confiem nos números avançados acerca dos clientes.
E a fusão optimus-clix com a Zon irá levar a um novo "aumento" de clientes totais, apesar de o número ser o mesmo, só que ao serem adicionados ao total da Zon, vamos ver números diferentes no total do que acontece agora.

Yagi disse...

Se o cliente não contratou serviço de televisão paga não pode entrar para as estatísticas como tendo serviço de televisão paga. Uma coisa é o Triple Play (telefone+voz+internet) outra é o telefone+internet. As operadoras não podem fornecer dados errados à Anacom.

@André,
6500 clientes é uma gota no universo total de clientes de TV paga da PT.

«uma empresa que contrate Internet-Telefone, neste momento também têm a televisão incluída... mesmo que não a use.»

Então tem televisão por subscrição e não paga?

Santos disse...

"As operadoras não podem fornecer dados errados à Anacom."
Todos sabemos do que as operadoras são capazes e do que a ANACOM é incapaz...

André disse...

6500 chegam para validar o aumento reportado. (só tenho dados de Abril)

Acerca do não contarem, estás enganado. Contam porque os 3 meses gratuitos são parte de um contrato de 1 ano que o cliente pode cancelar dentro dos 3 meses gratuitos.
Isto aconteceu por todo o país a todos os que compraram as parabólicas para o serviço via satélite. Muita gente não aceitou mas há muitos que aceitam pois os 3 meses iniciais são gratuitos e a pessoa pode cancelar o contrato até ao fim do período gratuito. Portanto, até finais de Julho, ínicio de Agosto, estas pessoas são clientes de televisão paga... apesar de não pagarem e podem nunca vir a pagar.

Acerca das empresas, os preços das operadoras chegam a compensar ter o serviço de televisão incluído... porque ficam mais baratos que o serviço bi de telefone e internet.
Muitos dos tarifários que são feitos para empresas acabam por ser mais caros que os feitos para os "normais", daí que muitas pequenas empresas acabam por ficar com serviços que incluem televisão mas não a usam (não pagam aluguer das boxs, que também é uma vantagem em relação aos clientes individuais).
Na zona de leiria existem centenas de empresas que estão nesse caso, pois os preços compensam. Principalmente pelo tipo de chamadas que são incluídas nos pacotes.

Yagi disse...

O que eu escrevi foi «Se o cliente não contratou serviço de televisão paga não pode entrar para as estatísticas como tendo serviço de televisão paga.»

Eu não disse que não contavam, disse que se o fizerem está errado.

Se contabilizarem sem contrato é grave. E não é só a Anacom que supervisiona! Trata-se de empresas cotadas em bolsa e estão sobre a alçada da CMVM. Prestar informação falsa ou errada à CMVM (e ao mercado) implica multas pesadas e geraria a desconfiança dos investidores. Não estou a imaginar a P*elecom ou a Z*N a arriscarem dessa forma.

Agora, empresas contratarem pacotes triple play (telefone+internet+ tv) e não utilizarem o serviço TV, já entendo. Mas nesse caso sempre estão a contratar o serviço de TV paga. O mesmo para os que aceitam as promoções, assim que aceitam são clientes de TV paga enquanto não desistirem.