sábado, 15 de abril de 2017

Sinal TDT - ANACOM soluciona problemas de forma original

Quem tem acompanhado a trapalhada que tem sido a TDT portuguesa sabe que, para além da luta pela disponibilização da RTP3 e da RTP Memória na TDT, tenho também lutado pela melhoria da cobertura do sinal. Ainda em Agosto de 2016 alertei a ANACOM para a existência de várias (sete) sondas de monitorização do sinal que sistematicamente indicavam sinal abaixo do limiar mínimo de qualidade, uma situação que se prolongava há meses. O blogue TDT em Portugal comentou:

“O autor do blogue TDT em Portugal tem constatado que (e como comprovamos nas páginas seguintes), durante várias semanas ou até meses seguidos, várias sondas de monitorização do sinal TDT reportam a situação de sinal TDT abaixo do limiar mínimo de qualidade, sem que a ANACOM corrija a situação”.

“Quer se trate de reais situações de deficiência do sinal TDT, de avaria das sondas em questão  ou problemas com o envio dos dados, consideramos esta situação grave, pois em todos os casos se traduzem na prestação de um mau serviço aos cidadãos, na descredibilização do regulador e da plataforma TDT.

Solicitamos pois que o ICP-ANACOM investigue estas situações e adopte as medidas necessárias à sua resolução.”
A resposta da ANACOM (como habitual) não foi esclarecedora. No entanto, implicitamente acabou por reconhecer problemas com o sinal TDT relativamente às sondas em questão, não tendo no entanto apresentado qualquer solução. Tenho pois aguardado com interesse o desenvolvimento desta situação, tanto mais porque não se trata de uma sonda isolada, mas de sete. Ou seja, sete zonas de recepção afectadas! 

Ora, vários meses depois do alerta, tenho o prazer de informar que a situação foi finalmente solucionada! Adivinham como?  


De uma forma engenhosa e original que certamente se tornará caso de estudo em todo o mundo: mudando as sondas de local. Simples! 


Como se pode comprovar na imagem seguinte que mostra a rede de sondas em 2016 e agora em 2017, das sete sondas "problemáticas" referidas no alerta do blogue TDT em Portugal, seis mudaram de sítio!


Poderão pensar, Yagi a explicação é simples, essas zonas passaram a ser de cobertura DTH, por isso já não faz sentido ter lá as sondas. Não, eu comprovei. São zonas assinaladas como sendo de cobertura terrestre

Refira-se a propósito que em Janeiro o regulador noticiou que, após estudo, o sinal de TDT apresentou «disponibilidade próxima de 100% e estabilidade elevada em 2016». Contudo, até à data não publicou o referido "estudo". Reflectirá esse estudo a realidade ou estaremos perante mais um "dourar da pílula" a que o regulador já nos habituou?

Ainda a propósito de estudos, a ANACOM "encomendou" mais alguns, desta vez sobre o alargamento da oferta na TDT e que deverão estar concluídos até 1 de Junho. Vai também submeter ao Governo uma proposta relativamente à plataforma que deverá assegurar o serviço de televisão gratuita após 2020, onde será equacionada a migração da actual rede de TDT para outra plataforma.

Estuda-se tanto e aprende-se tão pouco...

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2 comentários:

Manuel Cunha disse...

Houve muita trapalhada e ciganice com a conivência da ANACOM, que deveria ser a primeira Autoridade a dizer basta! à PT que ganhou o concurso beneficiando de milhões da venda das frequências libertadas.Mas pelo que percebi a própria ANACOM tb deve ter beneficiado, desta imposição às populações sem que tivesse acautelado e exigido uma boa e duradoira cobertura.
Creio que no caderno de encargos, havia a obrigatoriedade do tal canal em HD; apenas ficou o envelope sem conteúdo.
Enfim, a culpa morreu mais uma vez solteira: nem entidade reguladora, nem poder político primaram pela defesa de milhares de famílias Portuguêsas que tiveram de recorrer a um pacote pago para poderem ter acesso àquilo que lhes pertencia por direito.
Cumprimentos.
Manuel Cunha. Odivelas.

Yagi disse...

A responsabilidade pelo flop do canal HD é da SIC, RTP, TVI e do Governo da altura. Nunca houve verdadeira intenção de concretizar o projecto. O pecado original está no modelo de TDT que foi a concurso, beneficiando os interesses já instalados em detrimento dos cidadãos.

Oito anos depois do arranque oficial da TDT continuamos com UM só MUX que nem sequer está plenamente utilizado. E a RTP continua a "informar" os telespectadores que podem assistir aos seus programas em HD no MEO, NOS, VODAFONE e CABOVISÃO. Como venho denunciando, o próprio serviço público incentiva o abandono da TDT!